A CARTA DO MÊS DE OUTUBRO DE 2005 - ANO 5 - Nº 56
A história da revelação de Deus e da Salvação
5ª Parte

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AS ETAPAS DA REVELAÇÃO

IV – HISTÓRIA DE JACÓ

- “Esaú concebeu ódio por Jacó por causa da bênção que lhe tinha dado seu pai e disse: “virão os dias de luto de meu pai, e matarei meu irmão Jacó”. Foram referidas a Rebeca essas palavras do seu filho primogênito, ela mandou chamar Jacó e disse-lhe: “Teu irmão Esaú quer matar-te para se vingar de ti. Vai, foge para junto de meu irmão Labão em Harã e fica em casa dele algum tempo, até que se acalme a cólera do teu irmão” (Gn. 27, 41 a 45).

- “Isaac chamou Jacó e o abençoou, dando-lhe esta ordem: não desposarás uma filha de Canaã..., escolhe lá uma mulher entre as filhas de Labão, irmão de tua mãe. Deus todo poderoso te abençõe, te faça crescer e multiplicar, de sorte que te tornes uma multidão de povos” (Gn. 28, 1 a 3).

- Jacó chegou a Harã, como sua mãe Rebeca lhe aconselhou e como seu pai Isaac lhe mandou. Pediu aos pastores: “conheceis porventura Labão, filho de Nacor?”, responderam: “Sim, eis justamente sua filha Raquel que vem com o rebanho”, neste instante mesmo começou uma linda história de amor: Jacó amou Raquel logo que a viu, mas teve que esperar, e trabalhar quatorze anos para Labão, antes que este lhe desse Raquel em casamento.

- Jacó teve duas esposas, Lia e Raquel, as duas filhas de Labão o irmão de Rebeca, esposa de Isaac. A primeira vista Jacó apaixonou-se por Rebeca. Labão disse-lhe: “Acaso, porque és meu parente, servir-me-ás de graça?”, sem resposta continuou: “Dize-me que salário queres”, então Jacó respondeu: “Eu te servirei sete anos para Raquel”. Assim, por amor de Raquel Jacó serviu Labão durante sete anos. Pelo casamento Labão deu uma grande festa e, com os outros homens, Jacó bebeu. A noite Labão conduziu Lia na tenda de Jacó, o qual, tendo bebido bastante, na escuridão se uniu a Lia. Pela manhã Jacó viu Lia ao seu lado! Foi logo falar com Labão: “Não foi para Raquel que te servi? Porque me enganaste?”. Respondeu Labão: “Aqui não é costume casar a mais nova antes de mais velha, te darei também sua irmã, na condição que me sirvas mais sete anos”. Assim fez Jacó, constante no seu amor para Raquel. Depois de outros sete anos de trabalho, Labão entregou Raquel em casamento a Jacó que, assim, ficou com duas mulheres, mas amando mais Raquel que Lia (conforme Gn. 29, 1 a 30).

- Jacó teve doze filhos (conforme Gn. 29, 31 a 35 – 30, 1 a 24):

. filhos de Lia: Rubem, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zabulon.

. filhos de Zelfa, escrava de Lia: Gad, Aser.

. filhos de Raquel: José, Benjamin.

. filhos de Bala, escrava de Raquel: Dã, Neftali.

- Quando uma mulher casa tinha uma escrava, ela fazia parte da tribo e, como tal, era protegida. A escrava era bem tratada pela sua dona, a qual devia total dedicação e obediência; assim, em certas ocasiões particulares: esterilidade, doença, ausência, etc..., a dona podia pedir a sua escrava de substituí-la perto do seu marido para cumprir os deveres essenciais, notadamente de maternidade em caso de esterilidade. Ainda hoje, em certas ilhas da Polinésia e da Melanésia (na Oceania), as mulheres provisoriamente indisponíveis sexualmente, solicitam sua melhor amiga para substituí-la perto do seu marido; também, a maternidade através de “barriga de aluguel” ocorre hoje em toda legalidade.

- Depois de um acordo com Labão sobre o preço de vinte anos de trabalho, que Jacó, pastor experto, cumpriu a sua vantagem mas ficando nos limites do acordo, ele constitui um rebanho para si que soube fazer prosperar e se tornou rico. Os filhos de Labão, ciumentos diziam: “Jacó tomou tudo o que é de nosso pai, e as suas custas se tornou rico”. Jacó sentiu-se ameaçado, mas o Senhor lhe disse: “Volta para a terra dos teus pais, para a tua parentela, e eu estarei contigo”. Então Jacó fugiu, caminhando com seus filhos, suas mulheres, seus bens e seu rebanho para Canaã (conforme Gn. 31, 1 a 21). Foi neste caminho de volta a Canaã que ocorreu “a luta de Jacó com o anjo”, reproduzida por grandes artistas em pinturas e esculturas.

- No início da noite, Jacó se levantou com suas duas mulheres e seus filhos e passou o trecho raso do rio Jaboc, depois os fez passar a torrente. Mas Jacó ficou só na margem da torrente e teve que lutar toda noite contra “Alguém” que não quis dizer seu nome, pois “Aquele” que este nome designa escapa ao entendimento humano. “Aquele” vendo que não podia vencer Jacó, tocou-lhe na articulação da coxa e esta se deslocou.. Adivinhando uma manifestação de Deus, no final da luta que manteve sem fraqueza Jacó disse: “Não te deixarei partir antes que me tenhas abençoado”. “Aquele” perguntou: “qual é teu nome?” – “Jacó” – “Teu nome não será mais Jacó mas Israel, porque lutaste com Deus e com os homens, e venceste”. Ferido no quadril, doravante Jacó irá coxeando, e os judeus, ainda hoje, não comem o músculo da região ciática, lugar onde Deus tinha tocado Jacó.

- Os “filhos de Jacó” e os “filhos de Israel”, constituem uma só e mesma etnia na História da Salvação. A presença dos Israelitas em Canaã, quando “de volta de Padã-Arã Jacó chegou à cidade de Siquém, na terra de Canaã” (Gn. 33, 18), inscreve-se no contexto histórico revelado pelos arquivos reais egípcios de El-Amarna, XVº e XIV antes de Cristo.

- Jacó encontrou Esaú, que aceitou todos os presentes de seu irmão; depois Jacó seguiu na cidade de Siquém, na terra de Canaã. Ali comprou um pedaço de terra, onde levantou sua tenda e um altar que chamou El-Deus de Israel. (Gn. 33, 1 a 20).

- Deus disse a Jacó: “... sob a Betel e fica ali...”, “teu nome é Jacó, não te chamará mais assim, mas Israel... Sê fecundo e multiplica-te. De ti nascerão um povo e uma assembléia de povos... A terra que dei a Abraão e a Isaac, eu te darei e a tua posteridade...”. O lugar onde Deus lhe falou, Jacó deu-o o nome de Betel. (conforme Gn. 35, 1 a 15).

- Partiram de Betel e quando estavam perto de Efrata (hoje Belém), Raquel deu à luz um filho que Jacó chamou Benjamin. Depois deste parto penoso Raquel expirou e foi sepultada no caminho de Efrata. Sobre o túmulo Jacó erigiu uma estela (coluna funerária) que existe ainda hoje (conforme Gn. 35, 16 a 20).

- Jacó chegou junto de seu pai nos carvalhos de Mambré, em Quiriat-Arbé (hoje Hebron, perto de Jerusalém), onde tinha habitado Abraão. Velho e saciado de dias, a morte reuniu Isaac aos seus, e seus filhos, Esaú e Jacó, sepultaram-no (conforme Gn. 35, 27 a 29).

V – HISTÓRIA DE JOSÉ

- Jacó, que agora chamava-se Israel, como vimos no terceiro parágrafo acima (Gn. 35, 10), habitava na terra de Canaã e José, com seus irmãos, cuidava dos rebanhos. Israel amava José mais que seus outros filhos e o tratava melhor, porque era o filho de sua velhice, por isso, os irmãos de José o odiavam. José teve um sonho e o contou aos seus irmãos que o detestaram ainda mais: “estávamos ligando feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e se pôs de pé, enquanto os vossos o cercavam e se prostravam diante dele”. José teve um outro sonho que também contou aos seus irmãos: “o sol, a lua e onze estrelas prostavam-se diante de mim”, seus irmãos ficaram com inveja dele e odiaram mais, mas seu pai guardou a lembrança desses sonhos (conforme Gn. 37, 1 a 11).

- Israel disse à José: “Teus irmãos guardam os rebanhos em Siquem. Vai ver se tudo corre bem a teus irmãos e os rebanhos, e traze-me notícias”. José foi a Siquem, onde um homem disse-lhe que seus irmãos partiram para Dotain, então foi para Dotain e encontrou-os (conforme Gn. 37, 12 a 17).

- Os irmãos viram de longe José andando, vestido da sua bela túnica de várias cores presente de seu pai, então combinaram como mata-lo: “vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna, depois diremos que uma fera o devorou”. Rubem disse: “Não derrameis sangue. Jogai-o naquela cisterna, mas não levanteis vossa mão contra ele”, pois Rubem pensava livrar José depois e conduzi-lo ao seu pai. Quando José chegou, seus irmãos o despojaram de sua bela túnica, jogaram-no numa velha cisterna que não tinha água e, sentando-se para comer, viram surgir no horizonte uma caravana. Então Judá disse: “que nos aproveita matar nosso irmão, vamos vendê-lo aos ismaelitas da caravana”. Assim foi feito, José foi vendido por seus irmãos por vinte moedas de prata aos ismaelitas que o levaram para o Egito. (conforme Gn. 37, 18 a 28).

- Depois de vender José os irmãos mataram um cabrito, mergulharam a túnica no sangue e mandaram levá-la ao seu pai com esta mensagem: “eis o que encontramos: vê se não é, porventura, a túnica de teu filho”. O pai reconheceu-a e exclamou: “É a túnica de meu filho! Uma fera o devorou! José foi estraçalhado!”. Israel chorou por muito tempo o seu filho preferido e, recebendo as condolências de todos, disse: “É chorando que descerei para junto de meu filho na habitação dos mortos” (conforme Gn. 37, 29 a 35).

CONTINUA NAS PROXIMAS CARTAS

 

Cordialmente,
GUY PIERRE L. A. GIRAUDEAU
Leigo Claretiano e
Membro do Conselho Paroquial de Pastoral.